24/02/2010
 TWITTER DA COPA

A Secretaria Extraordinária da Copa de 2014 coloca hoje no ar mais um canal de informação com a sociedade e com os veículos de imprensa. A partir de agora você também pode acompanhar no twitter tudo que a cidade está realizando em sua preparação para receber os jogos do mundial da FIFA.

Vale a pena conferir: www.twitter.com/poa2014oficial


23/02/2010
 A COPA DA ÁFRICA E OS TURISTAS

A Fifa deverá mudar o sistema de venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. A informação foi divulgada nesta semana por diversas agência internacionais. A entidade máxima do futebol deseja voltar a vender as entradas diretamente aos torcedores. Hoje, os ingressos estão todos nas mãos das operadoras de turismo.

A justificativa é mais do que justa: cerca de 800 mil ingressos para a Copa da África deste ano estão encalhados. E a tendência de venda não é das mais animadoras.


Tirando a barriga da miséria
Não é só a venda de ingressos que preocupa os organizadores da Copa em termos de negócios. Quando estive na África, os empresários do setor turístico da Europa e Estados Unidos reclamavam dos preços exorbitantes aplicados nas redes hoteleiras. É o tal de tirar a barriga da miséria. O resultado da prática é pior: muitos turistas estão desistindo de viajar para assistir ao evento.

Todos precisam entender que Copa do Mundo não é tábua de salvação, mas a oportunidade de sedimentar um futuro melhor. O evento serve para plantar e não para colher. Espero que no Brasil empresários, poder público e sociedade tenham a real compreensão da Copa.


29/01/2010
 DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO

· Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia. A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exato.

O texto foi encaminhado pela produtora cultural e Coordenadora da Biblioteca do CES – Universidade de Coimbra, Maria José.

· Eis o discurso:

· "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

· Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

· Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

· Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

· Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

· Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

· Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

· Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

· Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.

· No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

· Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

· Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

· Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

· Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

· Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação da dívida histórica..."
 
· Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.


25/01/2010
 Entrevista - Jornal do Comércio

Transcrevemos abaixo entrevista publicada no Jornal do Comércio desta segunda-feira, dia 25.

Fortunati planeja ter FSM todos os anos em Porto Alegre 
 
Escalado para ser o interlocutor do Executivo com o Comitê do Fórum Social Mundial (FSM), o vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), participou das negociações para que a cidade fosse uma das sedes da edição descentralizada em 2010. O trabalho começou em 2008 e é parte de um planejamento mais ousado: garantir que a Capital receba o evento em 2013. O pleito será apresentado no ano que vem, no próximo FSM centralizado, em Dakar (Senegal).


Mas Fortunati - que deve assumir a prefeitura nos próximos meses, com a saída de José Fogaça (PMDB) para concorrer ao Palácio Piratini - sonha ainda mais alto. Ele pretende que Porto Alegre tenha o Fórum todos os anos. Como os organizadores passaram a fazer edições bienais em virtude de recursos insuficientes para atender a um público cada vez maior, o vice-prefeito aponta que a Capital gaúcha poderá garantir uma verba no orçamento todos os anos, caso seja aceita como sede permanente.


Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Fortunati fala ainda dos desafios da administração municipal para os próximos três anos, como as obras para a Copa do Mundo de 2014, e revela que o metrô estará incluído no PAC-2. Também comenta o papel do PDT nestas eleições.


Jornal do Comércio - O senhor também era vice-prefeito em 2000, quando se articulou a realização do FSM em Porto Alegre, no ano seguinte. Que diferenças observa agora?
José Fortunati - Em 2000, quando discutimos com o movimento social a organização do Fórum, havia inúmeras indagações sobre o sucesso do evento, que felizmente acabou acontecendo e com muito fôlego já na primeira edição, em 2001. A última edição do FSM em Porto Alegre foi em 2005 e isso causou uma celeuma, houve acusações de que o Fórum estaria saindo porque o PT havia perdido as eleições, criou-se um mal-estar no Rio Grande do Sul. Mas o Fórum mudou sua dinâmica, passou a ser centralizado de forma bienal, e nos outros anos acontece de forma descentralizada.


JC - E a volta do Fórum para a cidade neste ano?
Fortunati - Em dezembro de 2008, eu era secretário do Planejamento de Porto Alegre e fui procurado pelo Mauri Cruz, da Abong, e pelo Celso Woyciechowski, presidente da CUT-RS, para pensarmos no retorno do FSM. Conversei com o prefeito Fogaça, que topou, e começamos a estabelecer essa relação com os prefeitos da Grande Porto Alegre. Em 2009, foi entregue um ofício assinado por Fogaça, Jairo Jorge (PT), de Canoas, e outros prefeitos, que estiveram no FSM em Belém, apresentando essa reivindicação ao Comitê Internacional. Começamos a nos reunir para formatar a proposta, que foi aprovada nas Bahamas, em maio. Mesmo sendo em um ano de descentralização e uma edição menor, por ser regional, é importante essa retomada no 10º aniversário do FSM.


JC - A marca “Fórum de Porto Alegre” atrai gente de todo o mundo.
Fortunati - Exatamente. O Fórum nasceu aqui e tem uma marca muito forte com Porto Alegre. E essa edição tem algo diferenciado, que é o seminário internacional, atraindo muita gente, inclusive pensadores internacionais.


JC - E o projeto de realizar a edição centralizada do FSM em Porto Alegre?
Fortunati - Lançaremos nesta segunda-feira a ideia de construir um memorial do FSM em Porto Alegre, reunindo fotos, documentos, filmes, enfim, tudo que se dispersou. Vamos firmar um ato com a Ufrgs, CUT-RS, Força Sindical e o Instituto Paulo Freire, que tem procurado centralizar documentos do Fórum. Isso é uma demonstração de que queremos a volta do FSM a Porto Alegre em sua edição centralizada.


JC - Quando seria essa edição centralizada?
Fortunati - Informamos ao Comitê Internacional do FSM que em 2011, em Dakar (Senegal), apresentaremos nossa candidatura. Se tudo correr bem, teríamos a volta do Fórum em 2013.


JC - A cidade ainda apresenta como credencial o Orçamento Participativo, que deu muita visibilidade...
Fortunati - Porto Alegre é referência em participação e o instrumento maior é o Orçamento Participativo, mas os conselhos municipais também são fortes, tendo dois terços dos integrantes indicados pela sociedade. E Fogaça ainda criou o mecanismo de Governança Local Solidária. Então o Fórum tem tudo a ver com Porto Alegre.


JC - Na última edição do FSM em Porto Alegre, que teve um público de 150 mil pessoas, os recursos não foram suficientes, ficaram dívidas, e a própria organização admite que isso pesou para que o grande evento centralizado passasse a ser bienal. A prefeitura está disposta a oferecer um aporte para que o Fórum permaneça em Porto Alegre?
Fortunati - Com certeza. Se a questão básica é orçamentária - no que depender do prefeito José Fogaça e de mim - poderíamos consolidar o FSM de forma permanente em Porto Alegre e anual. Temos a convicção de que os recursos que são investidos no Fórum pela prefeitura têm um retorno muito maior para a cidade, especialmente na edição centralizada.
 

JC - Como?
Fortunati - Toda a rede hoteleira, bares, restaurantes, taxistas e comércio são beneficiados. E quantas cidades fazem campanhas milionárias para divulgar sua imagem no exterior e atrair eventos? Com o FSM, todo mundo está falando de Porto Alegre, basta acessarmos os principais sites da imprensa internacional para ver. Então, a imagem de Porto Alegre é “graciosamente” divulgada de forma positiva pelo mundo todo. As pessoas às vezes não se dão conta do que isso significa. Com o FSM permanentemente estamos colocando Porto Alegre para o mundo.
 

JC - Ou seja, se o Fórum não é anual por causa de recursos, Porto Alegre resolveria o problema.
Fortunati - Se esta for uma demanda do Comitê do FSM, existe receptividade do Executivo e, tenho certeza, do Conselho do Orçamento Participativo para designarmos uma verba específica para essa atividade.
 

JC - Qual a importância de eventos para a economia da cidade hoje?
Fortunati - Somos a terceira cidade do País em eventos internacionais. E o FSM tem algo que nenhum outro evento consegue, que é essa multiplicidade de expressão mundial. Só a Copa do Mundo vai nos dar a mesma visibilidade. Então, nossa intenção é ter no início de 2013 o FSM, em julho de 2013 a Copa das Confederações, e no mesmo ano o Campeonato Mundial Master de Atletismo. Tudo isso será preparatório para a Copa do Mundo de 2014. Porto Alegre ganharia muito tornando-se conhecida: atrairia investimentos, gerando emprego, renda e riqueza.


JC - O prefeito José Fogaça deve ser candidato a governador e com isso o senhor passaria a ser prefeito. As definições serão em março?
Fortunati - Certamente.
 

JC - Quem o PDT vai apoiar nas eleições no Estado?
Fortunati - O PDT ainda não tem posição oficial. A tese da candidatura própria perdeu força. Então, hoje são duas possibilidades: aliança com o Fogaça - não é simplesmente com o PMDB, mas com o PMDB e Fogaça -, ou com o PT. Percebo que cresceu muito a possibilidade de coligação com o PMDB e Fogaça. Pessoas que anteriormente defendiam uma aliança com o PT - cito dois exemplos, Lícia Peres e o novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Giovani Cherini - hoje são defensores da aliança PDT-PMDB-Fogaça. É a tese majoritária no partido.


JC - E a relação com o palanque nacional não pode atrapalhar?
Fortunati - O PDT já está perfilado com a candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT) à presidência. E não subordinamos as eleições nos estados à questão nacional. O PDT tem a compreensão de que a principal eleição no País é para a presidência da República e o Congresso Nacional. As eleições nos estados são, nesse ponto de vista, inferiores. E, para termos credibilidade com o eleitor, entendemos que nos estados o palanque a ser defendido tem que ser o palanque nacional. Por isso a inflexão que o PDT faz para que no Rio Grande do Sul o palanque do Fogaça seja o palanque de Dilma.


JC - O senhor apoiará Dilma mesmo que Fogaça permaneça neutro?
Fortunati - Minha posição (de apoiar Dilma) independe de qualquer outra relação com o prefeito Fogaça, com o PMDB ou qualquer outro partido. Considero a decisão do PDT correta e a ratifico.


JC - Há dúvidas se o presidente Lula conseguirá transferir votos para Dilma.
Fortunati - Lula será o principal cabo eleitoral de Dilma. Dizem: “Lula não teve sucesso eleitoral em 2008 e não elegeu seus candidatos”. Mas tenho certeza de que o Lula não fez campanha em 2008. Não “entrou em campo”, ao contrário do que pretende fazer agora. Certamente, Lula vai ter um peso muito forte nas eleições de 2010.

JC - Outro ponto da pauta de negociações para o Piratini é a eleição para a prefeitura da Capital em 2012.
Fortunati - Aprendi que subordinarmos o presente a ações do futuro é um equívoco. A política é muito dinâmica. Então, considero um grande equívoco subordinar qualquer ação em 2010 pensando em 2012.

JC - Mas houve propostas de integrantes do PT para atrair o PDT e há o documento de caciques do PDT e do PMDB pensando em 2012.
Fortunati - Logo que algumas lideranças do PT anunciaram a possível proposta eu disse: “conheço o PT e sei que isso não tem consenso”. Dito e feito, logo em seguida o deputado Raul Pont, presidente estadual, e a deputada federal Maria do Rosária, candidata à prefeitura de Porto Alegre em 2008, refutaram esse possível acordo. E o documento (PDT-PMDB) era desconhecido no partido. Foi firmado por algumas lideranças, mas em momento algum ele aparece na vida partidária e no processo de consulta ao militante que fizemos em maio de 2008.


JC - Alguns líderes partidários dizem que esse documento PDT-PMDB preparava a candidatura do deputado Vieira da Cunha (PDT) à prefeitura em 2012. Mas agora tem um fato novo, que é a candidatura de Fogaça ao Piratini em 2010.
Fortunati - Alguns tentam torpedear a candidatura de Fogaça para que eu não assuma a prefeitura agora, porque há dois caminhos se eu assumi-la: posso ter êxito na administração e ser o candidato natural ou não ter êxito e não ser candidato à reeleição. Então, mais do que qualquer documento, se eu assumir a prefeitura, o que vai apontar as possíveis alianças para 2012 é o trabalho a ser desenvolvido na cidade de Porto Alegre.


JC - Por que o senhor diz “se eu assumir”?
Fortunati - O fato só será concreto quando o prefeito Fogaça renunciar e eu tomar posse. Até lá, como diz o ditado, “o futuro a Deus pertence”. Todo mundo apostava, eu inclusive, há dez anos (quando era vice-prefeito) que eu seria candidato à prefeitura de Porto Alegre (pelo PT). E não fui candidato.
 

JC - O seu sonho é ser prefeito de Porto Alegre?
Fortunati - Meu sonho, que se concretiza ou não no final de março, é assumir a prefeitura. E o meu sonho seguinte é continuar com tudo o que estamos planejando para Porto Alegre. Isso vem sendo construído pelo prefeito Fogaça a partir de vários projetos e a Copa do Mundo acaba acelerando. Então, poderemos ter nos próximos anos uma transformação muito grande na cidade. A grande preocupação é que possamos, até o final de 2012, levar a cabo tudo isso que vem sendo projetado.

JC - Quais são as prioridades da administração?
Fortunati - Tudo que tem sido planejado pelo prefeito Fogaça só tem que ser implementado. Algumas coisas já estão, como o Pisa (Programa Integrado Socioambiental), estamos bem avançados com os Portais da Cidade, o deslocamento das vilas Dique e Nazaré já se iniciou. Precisamos continuar, até porque a Fifa exige prazos que a cidade precisa cumprir. Minha tarefa, assumindo ou não a prefeitura, é auxiliar para que as obras aconteçam.

JC - O dinheiro da Copa é menor do que o esperado?
Fortunati - Sim. O prefeito Fogaça cobrou da ministra Dilma, eu cobrei da Erenice Guerra, que é a secretária-executiva que tem coordenado esse processo, e ela reconheceu. Estávamos num patamar até um pouco mais elevado do que as outras cidades, por causa do metrô. Como havíamos incluído como prioridade número 1 o metrô, R$ 2,5 bilhões, o somatório da prefeitura de Porto Alegre era superior ao das demais cidades. Como o nosso metrô não se tornou exequível, ficamos com um volume de recursos inferior. Vamos retomar a negociação para aumentar o nível de financiamento do governo federal para a mobilidade urbana. Muito provavelmente mais dois viadutos na Terceira Perimetral, e uma elevada para terminar com o “X da Rodoviária”.


JC - O metrô de Porto Alegre está descartado?
Fortunati - O fato de termos incluído o metrô como prioridade para a Copa foi importante, porque agora o governo federal assumiu que o metrô é prioridade de Porto Alegre. Conversei com o ministro (do Planejamento) Paulo Bernardo, que garantiu a inclusão do metrô no PAC-2. Mais do que isso, o governo federal se convenceu de que a primeira linha a ser executada não é em direção à zona Sul, mas em direção à zona Norte, pois tem maior densidade e liga Porto Alegre à Região Metropolitana.


JC - E o aeromóvel?
Fortunati - Vai sair e será construído entre a estação do Trensurb até o aeroporto. São 850 metros e um investimento de R$ 30 milhões.


JC - Lideranças comunitárias reclamam que se fala muito em obras da Copa e as obras para a periferia da cidade estão abandonadas.
Fortunati - Não estão, porque o Orçamento Participativo está sendo cumprido. As obras da Copa têm visibilidade maior, mas as que dizem respeito à cidade continuam sendo construídas. A Copa só agiliza investimentos que a cidade precisa, como a avenida Tronco, que passa por dez vilas populares, na grande Cruzeiro do Sul.


17/01/2010
 Soldado Absoluto – A Luta pelo Estado Democrático de Direito

Aproveitei o período de duas semanas de descanso para fazer a leitura do livro “O Soldado Absoluto – uma biografia do marechal Henrique Lott”, de Wagner William (Editora Record), que me foi presenteado pelo amigo Félix Silveira Rosa Neto.

O livro é uma biografia do Marechal Henrique Lott, um militar que durante toda a sua vida procurou honrar a farda e foi um intransigente defensor da legalidade e do Estado Democrático de Direito.

Através da leitura das mais de 500 páginas pode-se perceber, com uma profundidade de detalhes que chegam a impressionar os que não vivem na caserna, como os militares sempre fizeram muita política no Brasil, estando de forma permanente divididos sobre os rumos que o país deveria prosseguir sendo que uma bela parcela em busca do poder, mesmo que o roteiro indicasse a quebra da institucionalidade e a tomada do poder através de um golpe, o que acabou de fato ocorrendo no dia 1º. de abril de 1964.

Mas, ao mesmo tempo em que as informações sobre o velho grupo golpista, que reunia civis e militares, são apresentadas com uma riqueza impressionante de dados, de outro lado pode-se perceber a luta permanente de outros civis e militares pela consolidação e respeito da normas ditadas pela Constituição Federal.

Ministro da Guerra que serviu a vários Presidentes, Lott foi decisivo para que Juscelino Kubitschek de Oliveira pudesse assumir o mandato de Presidente de acordo com o resultado eleitoral e com a vontade soberana da maioria da população.

Lott foi o candidato à Presidente que resolveu enfrentar o populismo desvairado de Jânio Quadros, afirmando desde o princípio de que a sua gestão seria um grande desastre para o país e que não chegaria a concluir o seu mandado, o que de fato aconteceu. Nesta eleição, a de 1960, Lott tinha como seu companheiro de chapa o candidato a Vice-presidente, João Goulart.

Como na época, por uma legislação eleitoral quase tão casuística como a atual, os eleitores podiam votar num candidato à presidente de uma chapa e no candidato a vice de outra chapa, acabou prevalecendo à chapa JAN-JAN (Jânio Quadros e João Goulart – Jango).

O Governador Leonel de Moura Brizola reconheceu que um dos pilares básicos para que a Campanha da Legalidade obtivesse sucesso foram às orientações dadas pelo Marechal Lott. Graças ao respeito que Lott tinha com grande parte da oficialidade do Exército ciosa pela legalidade, o Governador Brizola foi orientado para que procurasse o comandante do III Exército, General Machado Lopes, que acabou sendo uma peça chave para que o Golpe Militar não fosse perpetrado em 1961, possibilitando a volta do Presidente Jango da China.

Mais uma vez o Marechal Lott vem a público para condenar o Golpe de 1º. de abril de 1964. Resistiu desde o primeiro momento, sendo então preso. Em abril de 1965, deu uma contundente entrevista ao Correio da Manhã afirmando: “A mais frágil das ditaduras, é exatamente, a ditadura militar, porque de um lado contribui para impopularizar as Forças Armadas e de outro as contamina com o micróbio da corrupção” .  O tempo demonstrou que, mais uma vez, o Marechal Lott estava impregnado de razão.

Na última parte do livro, Wagner Willian relata a verdadeira saga de Nelson Luiz Lott de Moraes Costa, segundo filho de Edna Lott, neto do Marechal Lott, que ingressou na ALN para combater o regime de exceção, foi preso e barbaramente torturado, como tantos outros militantes de esquerda durante a ditadura militar. O relato sobre as torturas é feito com detalhes minuciosos e mostra como o ser humano pode se tornar um monstro contra outros seres humanos na defesa dos seus interesses.

(Obs. Para que não fique a impressão de que este tipo de postura animalesca é fruto de “desvios de postura de uma ideologia de direita” torna-se importante ler as obras que tratam sobre as torturas, perseguições e mortes ocorridas durante o governo de Stálin na antiga União Soviética.)

No momento em que o Brasil volta a discutir a Lei da Anistia, colocando Ministros do atual governo em rota de colisão, acredito ser interessante a leitura da biografia co Marechal Lott para que possamos entender um pouco mais da complexa história política do país dos últimos 70 anos e compreendermos o papel dos militares em todo este processo.


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